sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Expulsão dos Exploradores

Mat. 21:12-13
12 Jesus entrou no templo, expulsou todos os que ali vendiam e compravam, derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos vendiam as pombas.
13 e disse-lhes: "Está escrito, minha casa será chamada casa de oração, vós, porém, a fazeis covil de salteadores".
Marc. 11:15-17
15 E chegaram a Jerusalém. Entrando no templo, começou a expulsar os que ali vendiam e compravam, e derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam as pombas.
16 e não permitia que ninguém atravessasse o templo
17 levando qualquer objeto, e ensinava dizendo: "Não está escrito que minha casa será chamada casa de oração para todas as nações? Mas vós a fizestes um covil de salteadores".
Luc. 19:45-46
45 Tendo entrado no templo, começou a expulsar os que ali vendiam, dizendo-lhes:
46 "Está escrito: minha casa será casa de oração, mas vós a fizestes um covil de salteadores".
João, 2:14-17
14. Encontrou no templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas, e também os cambistas sentados;
15. e tendo feito um chicote de cordéis, expulsou a todos do templo, as ovelhas e os bois derramou pelo chão o dinheiro dos cambistas e virou as mesas.
16. E disse nos que vendiam as pombas: "Tirai daqui estas coisas; não façais da casa de meu pai uma casa de negócio".
17. Então se lembraram seus discípulos de que está escrito: "O zelo de tua casa me devorará".
Interessante observar que João coloca o episódio no inicio da vida pública de Jesus; Mateus e Lucas o citam no domingo em que Jesus entra triunfalmente em Jerusalém, e Marcos na segunda-feira seguinte pela manhã. Quando se realizou realmente? Ou será que a cena se repetiu duas vezes? Não há possibilidade de solucionar a questão com segurança absoluta. Mas parece, como pensam muitos interpretadores, que a razão está com João.

Os vendedores permaneciam no adro do templo, único local em que podiam penetrar os gentios (isto é, os não judeus), e não dentro do templo propriamente dito. Alinhavam-se as mesas no pórtico, como de uso nas vias públicas, e vendiam bois, ovelhas, pombos, farinha, bolos, incenso, óleo, sal e vinho. Além disso havia os cambistas, que trocavam dracmas gregas, e denários romanos, por siclos judeus, únicas moedas aceitas como ofertas. Todos, vendedores e cambistas, contribuíram com percentagens para os sacerdotes.

Marcos anota que Jesus protestou também contra a travessia do Templo, a carregar pacotes. Com efeito, para evitar uma volta grande, o povo acostumou a carregar suas cargas atravessando o Templo de leste a oeste.
Segundo João, Jesus faz um chicote de cordéis para enxotar os animais (não poderia fazê-lo com carícias); mas aos homens dirige a palavra candente, derrubando as mesas donde caíram as moedas dos cambistas. A intervenção repentina e inesperada, com autoridade, desconsertou-os, e eles obedeceram sem reação, inibidos de espanto.

Convictos da bondade de Jesus, de seu amor para com os pecadores e humildes, muitos não querem admiti-Lo violento. Parece-nos haver confusão entre violência e energia, entre bondade e complacência. Pode e deve haver bondade enérgica, freqüentemente indispensável na educação de crianças rebeldes, sem que haja violência. A moleza de caráter (muitas vezes chamada "benevolência") pode, em certos casos, até constituir crime. Cruzaríamos os braços diante de um bandido que estivesse para assassinar um bando de crianças, e se tivéssemos força capaz de detê-lo sem matá-lo? Isso seria mais cumplicidade com o malfeitor que "caridade" para com ele.

Não se alegue que Jesus "perdeu a linha", porque nenhum evangelista deixa supô-lo. Repreender com severidade, derrubar uma mesa de cambista, pegar um feixe de pequenas cordas para enxotar animais, é um gesto de justa indignação que supõe grande elevação espiritual diante da profanação de um lugar sagrado. Vem isso provar-nos que não devemos – nem podemos – pactuar com o abuso, sobretudo de negociar nos lugares destinados à oração. A força moral de Jesus, assim como sua energia, é bem confirmada pelas palavras duras com que enfrentava os enganadores do povo, que faziam da religião simples degraus para subir no conceito popular e para adquirir prestígio e honrarias, ou posição política, ou riquezas e isenção de obrigações.

Na interpretação espiritual, podemos deduzir que deste fato, narrado pelos quatro evangelistas, há um ensinamento valioso. Trata-se da autoridade e severidade com que devemos tratar nossos veículos inferiores (matéria, sensações, emoções e intelecto) quando querem nos levar por falsos caminhos, para a fraude, para a simonia (tráfico de coisas sagradas).

A individualidade não pode consentir que a personalidade transforme o Templo de Deus, de nosso Pai, em "covil de salteadores"; não podemos vender nosso "espírito" por favores em benefício de nossa comodidade e nosso conforto. Quantas vezes a personalidade acha natural fraudar o Templo de Deus, trocando a justiça e a retidão por lucros inconfessáveis de sensações e emoções! Quantas vezes permitimos que a animalidade assuma o papel principal, acima da espiritualidade. Quantas vezes consentimos em constituírem nossos veículos inferiores um aglomerado de vendilhões e exploradores das coisas sagradas, comparando prazeres sórdidos com sacrifício de nossas potencialidades sacrossantas, seja nas sensações, seja nas emoções, seja no intelectualismo viciado!

Jesus ensina-nos a agir prontamente, com rapidez, energia e autoridade, com severidade e zelo, mostrando-nos que jamais podemos compactuar com essas profanações do Templo de Deus. Exemplifica-nos que, se necessário, usemos de um chicote de cordas para expulsar o animalismo, a covardia, o comodismo, a falsidade, agiotagem dos "cambistas" que trocam o Reino dos Céus pelos bens da Terra; que sacrificam as riquezas imperecíveis por gozos momentâneos e ilusórios; que nos atrasam a caminhada no solo, pelo qual caminharemos, espinhos dolorosos que colheremos nas estradas futuras.

Energia, sim, rigor, intransigência, autoridade irrefragável, dureza incomplacente com todos os veículos inferiores que devem servir ao Espírito, e não escravizá-lo a seus caprichos, a seus prazeres, a suas loucuras. Mesmo sem violência contra eles, jamais fraquejar nem amolecer: a energia deve ser varonil e autoritária.
Marcelo de Oliveira Orsini

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Ibaté, São Paulo, Brazil
Eu sou cristão protestante da Igreja Presbiteriana Independente de Ibaté, cidade onde cresci e vivo atualmente... Não me considero um religioso, penso que só a religião em si não tem o poder de salvar a alma de ninguém nem transformar uma pessoa corrompida em um cidadão de bem... A religião nada mais é do que uma das instituições que em conjunto formam a sociedade.Assim como a família, a escola, o club,etc... Nada mais servem do que para nos moldar conforme o padrão que a sociedade requer, para que assim possamos viver de forma ''civilizada''... Uma escravidão a qual somos submetidos ao fazer parte da sociedade pois esta é englobada em um sistema rígido, manipulador e opressor... Não sou perfeito como nínguém é, mas apenas tento dar a minha colaboração a essa pobre gente como eu,(a grande massa), que já está tanto cansada de lutar e enfrentar tantas mentiras... Sou apenas mais um louco idealista neste mundo capitalista.